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terça-feira, 13 de abril de 2010

Beijo



Ao que parece, hoje é o dia mundial do beijo, o que vem comprovar que há mesmo um dia mundial para tudo e mais alguma coisa.
Não que o beijo não mereça, longe de mim querer insinuar tal coisa, logo eu que me assumo como fervorosa adepta e defensora desse tipo de contacto, sobretudo dos beijos que aparecem no vídeo em cima.

Por isso, aproveitando o tema, deixo-vos um pequeno excerto do livro "A mulher nua" de Desmond Morris, um estudo do corpo feminino:
Num inquérito recente sobre os dez mais importantes pontos de contacto no corpo de uma mulher (para serem tocados durante os preliminares), os lábios foram considerados a principal zona erógena. Não os seios nem os genitais, mas sim os lábios. É verdade que nas fases mais avançadas do acto amoroso, é a estimulação do clitóris que mais provavelmente levará ao orgasmo mas, segundo as mulheres questionadas, o maior factor de excitação durante a primeira fase dos preliminares sexuais é o contacto com os lábios (...)

O beijo erótico na boca tem uma origem peculiar. Quando os amantes juntam os lábios abertos e começam a explorar o interior das bocas com as línguas (o chamado beijo molhado ou "linguado") estão a executar uma acção que remonta aos tempos primevos. Antes do surgimento de "comida de bebé" conveniente, as mulheres tribais costumavam fazer o desmame dos bebés para os alimentos sólidos mastigando a comida até ficar macia e pastosa. Depois colocavam a boca aberta sobre a dos bebés e, com a língua, passavam-na para a boca dos filhos. À medida que as crianças se iam habituando a isto, começavam a procurar os alimentos macios com a sua própria língua assim que se estabelecia o contacto boca a boca com a mãe. Desta forma, a acção da busca com a língua passou a estar ligada a um acto de amor (...)

Muito mais havia a dizer sobre os lábios, a boca, o beijo...
E mais do que dizer, muito me apetecia agora fazer...a culpa deve ser das minhas origens francesas a quererem exercer o seu direito ao "French kiss"... é, deve ser isso, isso e a Primavera!

domingo, 5 de abril de 2009

Navegador solitário, João Aguiar

Aqui está um livro que recebi de presente de Natal em 2003 e que desisti de ler nos transportes públicos porque só me ria nas primeiras páginas e as pessoas ainda podiam pensar que era louca.
Devo dizer que sou de alguma forma solidária com este desabafo do Solitão...pois, digamos que padeço do mesmo mal...embora ainda hoje adore a minha madrinha e nunca lhe tenha chamado nomes, lol
Papin, peço que contenhas o teu primeiro impulso e não comentes da forma que te apetece comentar...tu ou qualquer uma das pessoas na posse dessa informação!!!

Assim começa o livro...

"Eu hoje faço quinze anos mas era melhor que não os fizesse. Tive um dia lixado e pra começar o meu velho obrigou-me a trabalhar no restaurante a servir os almoços e eu nunca gosto de lá trabalhar mas no dia dos anos é pior que nos outros dias e depois a velha não me deixou sair à noite com o Angelino e a outra malta porque apareceram visitas e no fim de tudo ainda tive de começar a escrever esta merda do diário ou lá como lhe chamam e eu não gosto nada de escrever não me importo de ler porque há a Bola e há os livros de caubóis mas escrever isso é mesmo contra vontade porque é uma chatice e a gente ainda tem de pôr vírgulas mas eu vírgulas não vou nessa não ponho que se lixe.
Mas escrever tenho mesmo de escrever porque esta noite apanhei um cagaço tão grande que me ia borrando todo e eu vou explicar o que foi e a culpa é toda da minha madrinha que é uma vaca e eu nunca gostei dela a começar porque foi ela que escolheu o meu nome.
A minha madrinha chama-se Maria Preciosa do Rosário e na certa acha que toda a gente deve ter nomes foleiros porque o dela também é foleiro e por isso quando fui baptizado ela teimou que eu havia de me chamar Solitão que é um nome que não existe e até parece que houve barraca da grossa no Resisto porque o homem disse que não podia pôr um nome desses não é permitido e a Preciosa começou a discutir e a minha mãe a ajudar e diz que a confusão era tal que iam já chamar a polícia e então felizmente o meu velho conhecia um gajo importante lá no Resisto e só para não ter chatices por causa da velha e da Preciosa foi falar com ele e convenceu-o a deixar e depois se fosse preciso dizia-se que tinha sido um engano e pronto.
E então eu fiquei mesmo Solitão e foi por causa da minha madrinha mas não é só isso há também outra história e que é esta ela escolheu o meu nome por ordem dos espíritos porque a madrinha Preciosa diz que é médio eu não sei bem o que isso seja e médios só conheço no futebol mas parece que há outros médios e a madrinha é desses e tem uns trânsitos como ela lhes chama e nessas alturas os espíritos dos mortos entram nela e falam e um dos espíritos que entram dentro é o do meu avô Aquelino que morreu antes de eu ter nascido.
Os velhos bem podiam ter-me arranjado outra madrinha por exemplo, a Vanessa do cabeleireiro que ainda é nova e é boa comó milho mas a Preciosa é amiga da minha velha desde pequenina e são comadres e todas essas merdas de modo que foi ela a madrinha e eu é que me lixei com isso (...)"

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A insustentável leveza do ser, Milan Kundera


"Tomas pensava consigo próprio que ir para a cama com uma mulher e dormir com ela são duas paixões não só diferentes como quase contraditórias. O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um número incontável de mulheres), mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher)."

Em 1995, li A insustentável leveza do ser de Milan Kundera e lembro-me de, na altura, ter sentido que algumas passagens do livro podiam ter sido escritas por mim de tanto que me identificava com o conteúdo dessas passagens. Chéché como eu ando, obviamente que não me lembrava de mais nada, nem da história, nem das personagens, apenas dessa impressão que o livro me deixou. Foi o único livro, até hoje, onde deixei apontamentos a lápis e sublinhei partes do texto, pois confesso que trato os livros como algo sagrado e os rabiscos para mim equivalem a profanação...Manias, o que hei de fazer?!
Hoje, fui buscar o livro à estante e espreitei as minhas notas...deixo aqui uma das passagens que, na sabedoria dos meus 23 anos, me pareceu importante sublinhar...ehehe...